Sistema elétrico e captadores de contra baixo

Vamos iniciar essa semana falando sobre um assunto que para muitos músicos ainda há muitas dúvidas a serem solucionadas. Iremos falar de captadores e sistema elétrico.

Introdução à captadores e sistemas elétricos para baixo

Os captadores são um item importantíssimo em qualquer instrumento. No entanto, os critérios de análise em relação a desempenho, qualidade e funcionalidade quase sempre estão ligados mais ao gosto pessoal de cada músico do que a uma determinada especificação técnica ou a laudos de experts.

Existem modelos que, embora julgados por algumas pessoas como antigos, ruidosos, fracos ou sem brilho, são tidos por outras como maravilhosos, com timbres verdadeiros, de nuances delicadas e equilibradas… A escolha do acessório ideal tem a ver, sobretudo, com as diferenças de gosto entre os “tecnológicos” e os “vintage”, por assim dizer.

Particularmente, acredito que o equilíbrio entre os extremos seja sempre a melhor condição. Na opinião de certos baixistas, a captação ativa degrada as características da madeira do instrumento – e, por este motivo, é preferível optar por timbres que remetem aos anos 50 ou 60, não importando o fato de que estamos em 2007. Há também quem aprimore e incremente tanto seu equipamento que o resultado acaba ficando mais parecido com o som produzido por uma guitarra ou um teclado. A idéia não é criticar nenhum dos dois conceitos. Entretanto, esse extremismo causa opiniões antagônicas entre os profissionais da música, o que leva as indústrias de instrumentos e luthiers a buscarem sempre novos timbres ou ressuscitarem outros já esquecidos.

Captadores para baixo: Ativo ou passivo?

Para decidir qual é o melhor captador para nosso baixo (ativo ou passivo, single coil ou humbucker, da marca X ou do modelo Y), é preciso entender o que é e como funciona este tão comentado acessório. Este é um assunto que merece sempre ser colocado em pauta. Em primeiro lugar, é preciso saber o seguinte: os captadores são transdutores, ou seja, dispositivos que convertem energia física em elétrica. Em um instrumento, transformam vibração das cordas em impulsos elétricos de corrente alternada. Esta força é destinada a alimentar um amplificador, que trabalha e multiplica a intensidade de seus sinais, conduzindo-os a um alto-falante. Este aparelho, por sua vez, os convertem para sons.

Em sua grande maioria, os baixos elétricos possuem captadores magnéticos (foto 1). Para funcionarem, estes acessórios precisam estar posicionados abaixo das cordas, que devem ser feitas de aço. Em sua forma mais simples, possuem uma única bobina — sendo, por esta razão, chamados de single —, que consiste em um ímã permanente em forma de barra e envolto por alguns milhares de espirais de cobre isolado e contínuo. O fio utilizado neste componente é extremamente delgado, como o cabelo humano. Sua espessura, entretanto, varia de acordo com o projeto do captador. O ímã gera ao redor de si um campo magnético, que interage com as cordas de aço quando o instrumento é tocado. Em uma situação de repouso, nada acontece à bobina. Mas, quando o encordoamento se movimenta, o campo magnético do ímã é a Herado, dando lugar na bobina a pequenos impulsos elétricos, que são levados até o amplificador — obviamente, ligado e em funcionamento — sob a forma de corrente alternada.

captador-baixo

A corda Lá, por exemplo, emite uma vibração de 440 Hertz (ciclos por segundo) quando é tocada. Digamos que o padrão vibratório desta nota tenha forma de oito, ou seja, este traçado é feito à proporção de 440 vezes por segundo, alterando o campo magnético do captador na mesma proporção. Durante o tempo de duração do som, a freqüência permanece igual independentemente da diminuição do volume, informando ao amplificador qual é a altura correspondente.

A título de referência, pode-se afirmar que, quanto mais forte o ímã e maior o número de espirais, mais ampla será a impedância e o volume de saída do captador. Mas se o ímã for muito forte ou o transdutor estiver próximo demais das cordas, a atração criada pelo magneto vai restringir os padrões vibratórios, resultando em perda de sustentação e até distorção na tonalidade. Além disso, o tipo, a grossura do fio e a forma de enrolamento também contribuem fortemente para o desempenho do acessório.

A esta altura, já dá para perceber que é preciso saber muito mais do que a resistência para se avaliar adequadamente um captador. Minha sugestão é de que fica mais fácil decidir sobre uma marca procurando informações em catálogos específicos, onde há referências sobre variáveis como a saída, o timbre e até as curvas de freqüência, isto é, os gráficos com a quantidade de agudos, médios e graves que cada tipo oferece. Outra alternativa é procurar um luthier de confiança para obter tais dados.

Captadores Humbuckers e Single Coils

Seth E. Lover, engenheiro da Gibson, inventou em 1955 o captador humbucker, capaz de eliminar os chatíssimos ruídos gerados pelos single coil. Em contrabaixos, mais propriamente nos fabricados pela empresa americana, este tipo surgiu por volta de 1960 nos modelos EB-0 e EB-3. Há quem diga, contudo, que tenha sido no EB-1, construído em 1953 e conhecido como “baixo violino”, semelhante àquele usado por Paul Mc-Cartney no começo dos Beatles.

Os humbuckers são supressores de ruídos. Têm duas bobinas enroladas em série, mas defasadas (foto 2), o que obriga qualquer interferência indesejada a passar por uma com sinal positivo e outra, negativo. Pode ser considerado como se fosse composto por dois captadores separados em uma só unidade. Embora tenha som mais forte, apresenta perda de freqüências altas se comparados aos de uma bobina só (single).

captador-humbucker

Em suma, os singles possuem timbres mais agudos e definitivos, enquanto os humbuckers geram sonoridades mais fortes e sem o famoso barulho de “hum”. Uma peculiaridade interessante sobre os humbuckers é que oferecem grande variedade de opções em sua instalação. Uma unidade pode ser tanto usada como humbucker verdadeiro como constituída de dois captadores de bobina simples. Além disso, os indutores podem funcionar juntos ou separados, em fase ou não, em série ou em paralelo. Estas diferentes combinações podem produzir uma enorme gama de sons, que, na verdade, são mais comumente notados em guitarras do que em baixos.

Este foi um breve resumo sobre sistemas elétricos e captadores para baixo. Em outros artigos, pretendemos aprofundar mais sobre a interação da madeira com os captadores e como a parte elétrica pode alterar o timbre do contra baixo.

Esperamos que tenha gostado dessa matéria sobre captadores e sistemas elétricos para o baixo.

Comentários

  1. Carlos Bento diz

    Me ajude por favor.Não sou músico profissional,mas tenho um baixo stratosonic gianinni e percebo que quando aumento o volume ele fica abaixo do normal.O que fazer,o problema pode estar nos captadores ou na instalação elétrica.Existe solução para o caso sem que tenha que trocar os captadores? O timbre dele esta ótimo.
    Obrigado,aguardo ancioso sua resposta.Não se esqueça de mim.
    Abraços.
    Feliz Ano Novo.

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