Criando Linhas de Baixo no Jazz

Criando Linhas de Baixo no Jazz será a primeira de uma série de lições a serem apresentadas sobre walking bass. Neste artigo de hoje, vou mostrar um material básico, que todo baixista deveria conhecer, independente da preferência musical. Entenda que, quando eu me refiro a “conhecer”, quero dizer: ser capaz de tocar perfeitamente em todas as tônicas, pois “Conhecer sem fazer, é o mesmo que não conhecer”.

Existe muitos alunos de contrabaixo que desejam melhorar a sua walking line. A maioria deles sentem que precisam de novos conceitos e materiais a fim de tornar as suas linhas mais interessantes. A verdade é que a maioria desses alunos precisam conhecer o básico de forma MUITO melhor. Quando você entender melhor sobre série harmônica (wikipedia), aí sim você estará apto a improvisar com este material apresentado. Quando você puder facilmente improvisar com um grupo pré-determinado de notas, sua sonoridade será infinitamente melhor e criativa. Não é preciso de notas exóticas para soar bem. Você precisa de controle!

Para dominar bem esta lição exige que você aprenda a ter paciência e persistência. Também é vital que você não avance muito à frente de si mesmo, movendo muito rapidamente ou tentando incorporar muitas variáveis enquanto pratica. Nesse nível de desenvolvimento costumo dizer que você não precisa praticar improvisação. Você precisa praticar sistematicamente os elementos que você usará quando você improvisar.

Quando você dominar a criação de linhas de baixo no Jazz, você ficará surpreso com a quantidade de vezes que você vai ouvir estas linhas em gravações de grandes compositores.

Criando Linhas de Baixo no Jazz

 

Parte 1: Tensão/Resolução

Uma técnica muito comum usada por todos os grandes músicos para criar tensão e resolução em seu modo de tocar é a abordagem por meio de semitons (acima e abaixo).

Ex 1 – Abordagens Em Semitom

semitom

 

 

 

Alguns destes semitons são diatônicos e cromáticos. Ambos soam bem, porque eles conduzem à tônica ao acorde seguinte, e isto cria uma resolução muito forte. Não se preocupe pelo fato de saber que alguns desses semitons não são tons de acordes. De fato, muitas abordagens em semitom no papel parecem colidir com os acordes. Toque-os juntamento com as mudanças de acordes e então você ouvirá o movimento da sonoridade do Jazz.

Ex. 2 – II-V’s

semitons acima e abaixo

 

 

 

 

Ex. 3 – Blues Em Bb Com Tônicas e Semitons Acima

abordagens em semitom

 

 

 

 

 

Parte 2: Tons de Acordes

O próximo passo na hora de criar linhas de baixo no jazz é adição de tons de acordes: terceiras, quintas e sétimas. Começamos usando o seguinte padrão: tônica, quinta, tônica, semitom acima.

Ex. 4 – Blues em F com Tônica, Quinta, Tônica, Semitom Acima

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criando linhas de baixo no jazz

 

 

 

 

 

Ex. 5 –  Blues em F com Tônica, Quinta, Tônica, Semitom Abaixo

criar linhas de baixo

 

 

 

 

 

É importante para a prática usar apenar um padrão por vez. Por exemplo, não misture semitom acima e semitom abaixo. Se você se concentrar em um padrão (pattern) específico, mais rapidamente você conseguirá canalizar e sentir o som em suas mãos. O objetivo é o de desenvolver a memória muscular em conexão com o som específico.

Observem que, quando dois acordes por compasso são usados, você não terá tempo para tocar o tom de acorde e ainda tocar a abordagem em semitom. Neste caso, deixe a prioridade com o semitom.

Agora vamos usar as terceiras de cada acorde. Certifique-se de reconhecer a diferença entre terceiras maiores e terceiras menores.

Ex. 6 – Blues Em F Com Tônica/Terceira/Tônica/Semitom Acima

criar linhas de baixo

 

 

 

 

 

Ex. 7 – Blues em F Com Tônica/Terceira/Tônica/Semitom Abaixo

linhas de baixo

 

 

 

 

Em seguida, vamos trabalhar com sétimas de cada acorde. Repare que a sétima é tocada um passo abaixo da fundamental, em vez de acima. Isso muitas vezes soa melhor.

Ex. 8 – Blues Em F Com Tônica/Sétima/Tônica/Semitom Acima

linhas do baixo

 

 

 

 

 

Ex. 9 – Blues Em F Com Tônica/Sétima/Tônica/Semitom Abaixo

 

 

 

 

 

Parte 3: Todos os Patterns em Mudanças de Acordes Padrão

Usando todos os patterns anteriormente, você consegue tocar uma música completa.

Tônica/Tônica/Tônica/Semitom (acima e abaixo)
Tônica/5ª/Tônica/Semitom
Tônica/3ª/Tônica/Semitom
Tônica/7ª/Tônica/Semitom

Ex. 10 – “There Will Never Be Another You”

There Will Never Be Another You acordes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte 4 – Notas de Passagem

A nota entre dois tons de acordes é chamada de Nota de Passagem. As Notas de Passagem preenchem, em geral, um intervalo de terça; duas Notas de Passagem podem preencher também um intervalo de quarta; uma Nota de Passagem Cromática pode preencher um intervalo de segunda. Esse padrão de Tônica/Nota de Passagem/Terceira é muito comum em linhas de walking bass. Nós usaremos patterns em semínimas de acordo com os graus da escala 1-2-3-1/2 or 1-2-3-1.

Ex. 11 – Blues Em C: 1-2-3-1

 

 

 

 

 

Ex. 12 – Blues Em F: 1-2-3-1/2

lições sobre jazz

 

 

 

 

 

Ex. 13 & 14 – “Lady Bird”: 1-2-3-1 e 1-2-3-1/2

Lady Bird acordes

 

 

 

 

 

 

Neste ponto, eu gostaria de sugerir a você que aprendesse Blues, Mudanças de Ritmos, e duas músicas padrões usando os patterns apresentados anteriormente. É MUITO IMPORTANTE para você aprender essas canções e patterns em uma varieda de tônicas. Não tente fazer isto de cabeça. Escreva as mudanças em cada tônica. Aprenda a tocar (sentir) e reconhecer (ouvir) cada padrão/pattern. Mas agora uma advertência, é aí onde muitos alunos tentarão encurtar o processo. Se você não aprender a tocar esses padrões em várias tônicas você não será capaz de improvisar livremente com eles. Aproveite o tempo livre para aprender tudo em cada tônica e você ficará maravilhado com os resultados.

Ex. 15 – “Mudanças de Ritmo”

mudanças de ritmo musical

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte 5 – Análises

Ex. 16 – “Lady Bird” Com Análises

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ex. 17 – “There Will Never Be Another You” Com Análises

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ex. 18 Blues Em G Com Análises

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conclusão

Parabéns! Se você conseguiu dominar as músicas apresentadas aqui, você está no caminho certo para dominar boas linhas de walking bass. Se você não consegue tocar todos esses padrões em tônicas diferentes, então você vai demandar de mais tempo para aprender tudo isto. Lembre-se, não é só porque você entendeu bem que significa que toca de forma fluente. Aproveite o tempo para construir uma base sólida.

Nesta lição, começamos cada mudança de acorde com a tônica dada pelo acorde. Nas lições posteriores, exploraremos outras opções.

Para certificar-se de que você aprendeu completamente este material sobre ‘Criando Linhas de Baixo no Jazz’, eu sugiro que você defina uma meta para cada exemplo. Quando você conseguir tocar a canção 10 vezes seguidas, no tempo certo, sem erros, sem parar, é hora de passar para o próximo exemplo. Seja paciente e lute pela consistência.

Como não há política musical, é verdade que você pode tocar todas essas notas quando quiser enquanto estiver “caminhando” por uma linha de baixo. No entanto, características de estilo e tradição definem uma “boa” linha de baixo. Eu encorajo a você a imitar as linhas de baixo de artistas como Paul Chambers, Ray Brown, Ron Carter, e Christian McBride. Ao imitar os mestres, a sua tocabilidade soará madura e sólida. Pois a partir dai com o tempo, você criará suas próprias escolhas e estilos ao tocar as linhas de baixo. É um erro dos iniciantes logo de cara querer fazer suas “próprias coisas” antes de eles compreenderem certas coisas.

Se você trabalha de forma consistente e por um longo período um tema, você naturalmente irá começar tocar variações. Isso é chamado de improvisação. Mas se você desconsidera o tema, e foca nas variações, então sua tocabilidade muitas vezes pode não ser firme. Nesta fase, não se preocupe o quão criativa são suas linhas de baixo. Basta prestar atenção o quão sólidas elas soam. Eu asseguro a você que quando a sua tocabilidade for descrita como sólida, não faltará shows para você tocar.

* Conforme der, nós iremos disponibilizar audios para acompanhar esta lição.

Gostaram da lição? Dê a sua opinião!

Comentários

  1. Michelle diz

    Muito bom! Sinto que preciso dessa consistência para poder criar minhas próprias frases. Até consigo entender a parte teórica, mas na hora de executar parece que dá uma embolada rs. Continuem postando esses exercícios, a parte de contrabaixo tem ficado meio parada. Parabéns pelo site xD

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